quarta-feira, 19 de julho de 2017

Bahia: Empresários e comerciantes de Ponto Novo falam sobre crise econômica; quedas nas vendas e inadimplência agravam situação


Sustentado pela agricultura, Ponto Novo vive um dos seus piores períodos econômicos dos 28 anos de emancipação política. Após a interrupção da irrigação, que fez com que centenas de agricultores deixassem de produzir, impedindo também a continuidade da Empresa Sítio Barreiras, grande geradora de emprego e renda, o que culminou num agravamento da crise econômica, que já é sentida por comerciantes e empresários do município. Arnóbio Carneiro, empresário no ramo de materiais para construção afirmou que houve um regresso na economia do município. “Crise total, eu acho que Ponto Novo com essa situação hoje, nós tivemos um regresso na economia de pelo menos 20 anos atrás, no comércio está tudo parado, tudo totalmente parado, realmente é uma crise como eu mesmo nunca vi igual”. O empresário culpou o Governo do Estado e criticou a gestão municipal. “Eu culpo o Governo do Estado que foi omisso em relação a Ponto Novo, eu até diria foi irresponsável com relação a Ponto Novo, prometeu demais a ampliação da Barragem e não fez, e também ao mesmo tempo, culpo um pouco a gestão municipal, eu vi pouca ação da atual gestão no sentido de convencer as autoridades estaduais a não fazerem uma paralização brusca como fizeram com o projeto de irrigação”. Marcos Silva, empresário no ramo de supermercados afirmou que em seus estabelecimentos comerciais algumas demissões já aconteceram em decorrência do difícil período. “A gente vem sentindo na pele, ultimamente foram demitidos do nosso comércio mais de quatro funcionários, e com isso as pessoas é que vem sentindo mais ainda, se o comércio não está reagindo, o desemprego vai vir prejudicando os pais de família”. Uma das medidas tomadas por ele é a redução nas compras. “A melhor coisa é comprar menos. Se está comprando menos, certamente está vendendo menos, com isso a tendência é o lucro cair, porque quando você vende menos você ganha menos”. O empresário falou sobre a preocupação da gestão municipal com o atual período. “Eu acredito que o prefeito vem se preocupando muito com essa crise que Ponto Novo vem atravessando, estamos aqui pensando qual a forma melhor de sair de uma crise dessa, de que forma, indo em busca de recursos estadual, federal, e quando chega os poderes lá em cima vem dizendo que a crise foi generalizada”. Segundo Artur Paiva, um dos mais tradicionais comerciantes de Ponto Novo, no ramo de produtos agropecuários, o fechamento do Projeto de Irrigação contribuiu para o agravamento da crise. “Pelo nosso ramo de atividade, é quem primeiro recebe a crise porque como a gente trabalha com insumos agrícolas e produtos veterinários a gente já vem a cinco anos passando por uma seca que afeta diretamente a pecuária, aí tinha o sistema de irrigação, que o Projeto de Irrigação ia dando uma determinada segurança, mas agora com o fechamento do Projeto, a crise nos pega de uma vez por todas”. Reduzir as compras e buscar novas alternativas estão entre medidas tomadas pelo empresário para driblar a crise. “Reduzir as compras, administrar melhor os pagamentos, porque a coisa mais importante que o comerciante tem é o crédito, se perder o crédito perde o comércio dele, e tentando buscar novas alternativas”. Afirmou Artur Paiva. O ramo de perfumaria também foi atingido pelo difícil período, segundo Maria Gama, que desenvolve atividades empresariais no setor, é preciso ter jogo de cintura para administrar as dívidas em meio a queda nas vendas. “O comércio está muito fraco, muito difícil, do dia trinta ao dia dez - mais ou menos- tem algum movimento, daí fica difícil pra gente sobreviver, pra gente conseguir pagar as contas, que são muitas, e a gente tem que ter um jogo de cintura para poder fazer isso, porque está muito difícil”. Segundo a empresária, a realização de promoções, sorteios, o incentivo a compras a vista, no cartão, e para clientes que pagam em dia não são suficientes para levantar as vendas. Bruno Gama, proprietário de uma clínica de fisioterapia e pilates também relatou a difícil situação que atinge a todos os setores. “Uma situação meio complicada, onde as vezes a gente chega no final do mês sem dinheiro nenhum e já pensando no que vamos fazer no próximo mês. As vezes a gente acaba vendo qual é a prioridade, das contas que nós temos a pagar e não pode deixar de pagar”. Sr. Pascoal, que exerce atividades empresariais no ramo da metalúrgica já tomou uma medida drástica. “Eu mandei cancelar meu alvará”. Segundo ele, a baixa procura o motivou na decisão. “Se eu não tenho movimento para trabalhar, não estou tendo serviços tenho que fazer isso para gerar economia”. Afirmou. Por Web Interativa
13/07/2017 12h50
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