sexta-feira, 23 de junho de 2017

Lava Jato: Renan Calheiros diz ser fantasia delação de Cerveró que o aponta como receptor de propina


Em depoimento a Moro, Renan diz que conheceu lobista


Por meio de videoconferência, o senador Renan Calheiros (PMDB), na qualidade de testemunha de defesa do lobista Jorge Luz, emitiu depoimento ao juiz federal Sérgio Moro. Calheiros disse que conheceu Luz no final de década de 80, mas que não mantêm contato com ele há mais de 20 anos e que teriam sido apresentados na casa de José Moraes, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio. O lobista Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz estão em prisão preventiva acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Porém, conforme o Ministério Público Federal, a dupla atuou como lobista onde mediou o pagamento de U$ 15 milhões e uma parte foi destinada ao PMDB. Calheiros também disse ter uma “vaga lembrança” de ter conhecido os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Nestor Cerveró (Internacional) quando levados a seu gabinete por outros parlamentares. O senador também negou ter propiciado algum favorecimento.


O senador Renan Calheiros (PMDB) disse, nesta quarta-feira, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que nunca prometeu apoio a Nestor Cerveró (ex-diretor da área internacional da Petrobras) para que ele fosse mantido na diretoria da Petrobras e, muito menos, teria cobrado propina por isso. “Acho isso uma fantasia. Como poderia ter acontecido isso se efetivamente nós não havíamos conversado sobre tal assunto e jamais conversaríamos”, disse o senador. Calheiros confirmou ter recebido Cerveró e Paulo Roberto Costa (ex-diretor de serviços da Petrobras) “duas ou três vezes”, em sua casa e em seu gabinete, nunca com agendamento prévio, mas levado por outros parlamentares, como o deputado Aníbal Gomes (PMDB), mas que nunca tratou sobre indicação ou apoio a nenhum dos dois na diretoria da Petrobras. “Uma vez, na minha casa, levado pelo Aníbal, o Paulo Roberto Costa chegou a pedir apoio para ser indicado a uma nova diretoria da Petrobras, mas dissemos que não era possível, pois não tratávamos daquele tipo de indicação e, mesmo porque ele tinha sido indicado pelo PP que faz oposição à gente em Alagoas”, relatou. Renan prestou depoimento como testemunha de defesa do lobista Jorge Luz, preso na 38ª fase da Operação Lava Jato, acusado de ser o principal operador de propinas ao PMDB. Entre outras acusações, Luz é apontado como o intermediário do pagamento de propinas a Renan Calheiros para que o senador apoiasse a permanência de Cerveró na diretoria da Petrobras, tanto o senador quanto o lobista negam as acusações, que constam na delação premiada de Cerveró. Calheiros também foi questionado sobre a afirmação de Paulo Roberto Costa, em seu termo de delação premiada, de que o deputado Anibal Gomes era intermediário do senador em algumas negociações. “Essa investigação já foi arquivada exatamente porque o Paulo Roberto Costa disse que nunca havia checado comigo se o deputado Anibal falava mesmo em meu nome, o que ensejou, a pedido da procuradoria o arquivamento da investigação”, respondeu.


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