sábado, 17 de junho de 2017

Crise do governo: Após ser chamado de 'chefe de quadrilha' em entrevista, Temer decide processar Joesley

Foto: Lula Marques/ Agência PT

Temer chama Joesley de 'bandido notório' e ataca MPF por acordo de delação


Depois de o empresário Joesley Batista afirmar em entrevista à revista Época que Michel Temer lidera a “maior organização criminosa do país” , o presidente decidiu que vai processar o sócio do grupo J&F. De acordo com a Folha de S. Paulo, o peemedebista vai divulgar uma longa nota, ainda neste sábado (17), para dizer que ingressará com ação civil e penal contra o empresário. Ainda segundo a publicação, Temer está preocupado com o conteúdo da entrevista porque acredita que o Ministério Público Federal (MPF) vai utilizá-la para “reconstruir” a base da denúncia que deve apresentar contra ele na próxima semana. Na nota, o presidente vai acusar Joesley de proteger determinado partido político, em referência ao PT, e criticará a impunidade, também em citação indireta, desta vez em relação ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e ao órgão que ele comanda, a Procuradoria-Geral da República (PGR). Para integrantes do governo, a entrevista do empresário agrava a crise política. Por isso, a ordem do presidente é continuar a ofensiva contra a JBS e a PGR, já que, na avaliação do Planalto, o órgão investe em uma “escalada” contra o governo. Para assessores do peemedebista, o próximo passo da Procuradoria-Geral é a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), apontado por Joesley na entrevista como “mensageiro” de Temer e que informava a ele sobre os pagamentos feitos pelo empresário ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde o ano passado em Curitiba.



A Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou na tarde deste sábado (17) uma nota confirmando a informação de que o presidente Michel Temer vai processar o dono do grupo J&F, Joesley Batista (veja aqui), pela entrevista concedida à revista Época, na qual o empresário acusa o peemedebista de liderar a “maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil” (leia aqui). No texto, a Presidência chama Batista de “bandido notório” e o acusa de "desfiar mentiras" na entrevista e aponta "inverdades" que teriam sido narradas por Joesley à revista. "Em entrevista, ele diz que o presidente sempre pede algo a ele nas conversas que tiveram. Não é do feitio do presidente tal comportamento mendicante. Quando se encontraram, não se ouve ou se registra nenhum pedido do presidente a ele. E, sim, o contrário. Era Joesley quem queria resolver seus problemas no governo, e pede seguidamente. Não foi atendido antes, muito menos depois", afirma a nota. O posicionamento do Planalto também criticou o acordo de delação premiada selado entre Joesley e o Ministério Público Federal. "Ao delatar o presidente, em gravação que confesa alguns de seus pequenos delitos, alcançou o perdão por todos seus crimes. [...] Os fatos elencados demonstram que o senhor Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira. Conseguiu enriquecer com práticas pelas quais não responderá e mantém hoje seu patrimônio no exterior com o aval da Justiça", diz a nota de Temer. “[Joesley] Obtém perdão pelos seus delitos e ganha prazo de 300 meses para devolver o dinheiro da corrupção que o tornou bilionário, e com juros subsidiados. Pagará, anualmente, menos de um dia do faturamento de seu grupo para se livrar da cadeia. O cidadão que renegociar os impostos com a Receita Federal, em situação legítima e legal, não conseguirá metade desse prazo e pagará juros muito maiores”. O texto ainda diz que a JBS construiu sua história com “governos do passado”, uma referência indireta às gestões petistas, “muito antes que o presidente Michel Temer chegasse ao Palácio do Planalto”. “Toda essa história de ‘sucesso’ é preservada nos depoimentos e nas entrevistas do senhor Joesley Batista”, afirma a Presidência, ao sugerir que o empresário tentou livrar os ex-presidentes Dilma e Lula de acusações. “Os reais parceiros de sua trajetória de pilhagens, os verdadeiros contatos de seu submundo, as conversas realmente comprometedoras com os sicários que o acompanhavam, os grandes tentáculos da organização criminosa que ele ajudou a forjar ficam em segundo plano, estrategicamente protegidos”, segue a nota.

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