segunda-feira, 8 de maio de 2017

A perseverança da Lava Jato na busca por Justiça



Comentamos na Reunião de Pauta de quarta-feira, 3 de maio, a posição de desvantagem em que atuam os procuradores da Lava Jato em relação ao sistema jurídico-político brasileiro, bem como o dever de alertarem a população sobre as manobras de autoproteção colocadas em prática pelos poderosos.
No livro "A Luta Contra a Corrupção", de Deltan Dallagnol, lançado em 26 de abril em Curitiba, um trecho sobre os obstáculos enfrentados na investigação e na acusação de réus de colarinho branco ilustra exatamente este quadro e as maneiras encontradas pelo procurador de "perseverar na busca por justiça".
Leia, por favor:
“(...) 'Atenção, investigadores, promotores de Justiça e procuradores da República, não vale a pena investir seu tempo nesse trabalho. Torne-se um burocrata de gabinete. O seu esforço será inútil.'
Silenciosamente, é isso que o sistema grava em nossos corações e mentes.
Como vimos, a destruição do trabalho é capaz de acabar como entusiasmo até de pessoas que têm paixão pela atividade que estão realizando. Por isso não é raro encontrarmos procuradores da República e promotores de Justiça, que, após sucessivas experiências frustrantes, desanimaram. Ao longo de meus 13 anos de Ministério Público, vi o entusiasmo e a proatividade de muitos colegas murcharem. Continuaram desempenhando um trabalho adequado em investigações e processos, mas faziam apenas o essencial para justificar o salário no fim do mês. Se tudo era um faz de conta, não havia razões para qualquer esforço extra. Não os culpo. Várias vezes também passou pela minha cabeça a inutilidade do meu trabalho e já me senti tentando a desistir. Agir de modo diferente parece mesmo irracional.
Após acumular uma bagagem de fracassos incômoda o suficiente por mais de oito anos, decidi perseverar na busca por justiça, mas precisava mudar a estratégia. Continuar a fazer o mesmo sem alcançar qualquer resultado não tinha sentido. Se a meta era vencer a impunidade, seria necessário mudar as regras e a cultura jurídica. Não bastava tentar mudar o sistema de dentro – era necessário atuar fora dele, na academia e por meio de propostas de reformas.
Para dar uma contribuição nesse sentido, nada melhor do que buscar aperfeiçoamento nos Estados Unidos, um país em que o sistema de Justiça Criminal funciona muito melhor do que o nosso e que é, ao mesmo tempo, berço da proteção aos direitos humanos. Lá, por exemplo, os políticos não têm foro privilegiado e são julgados por qualquer cidadão. Além disso, o júri é composto por pessoas comuns, nunca por juízes indicados (...)." - (O Antagonista)



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