terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Crise na segurança: Após menção a suspeita de ligação com facção, juiz do Amazonas se defende

  juiz do Amazonas se defende
Foto: Reprodução / Facebook

Sistema prisional

O juiz Luís Carlos Honório de Valois Coelho, que foi chamado para atuar na negociação da rebelião que deixou 60 mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus (AM), divulgou um texto em sua página do Facebook que responde a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que cita a suspeita de que ele seria ligado à facção Família do Norte. A facção participou do motim que começou neste domingo (1º). Coelho afirma que o veículo fez uma “covardia”. “Ontem, depois de passar doze horas na rebelião mais sangrenta da história do Brasil, um repórter, dito correspondente desse jornal me liga. Eu digo que estou cansado, sem dormir a noite toda, mas paro para atendê-lo por vinte minutos. Algumas horas depois sai à matéria: ‘Juiz chamado para negociar rebelião é suspeito de ligação com facção no Amazonas’”, relata. Na matéria do Estadão, não há declarações do magistrado sobre a apuração, mas foi publicada uma resposta de seu advogado sobre a investigação. “Por meio de seu advogado, o juiz Luis Carlos Valois afirmou que ‘não possui qualquer envolvimento com organizações criminosas. Os presos solicitam sua presença tão somente por ele ser o juiz da vara de execuções penais e, por lei, ser o juiz competente para analisar questões referentes ao sistema prisional’”, diz a reportagem. Coelho alega, no entanto, que o jornal publicou a matéria sem as falas da entrevista que concedeu. “O Estadão é grande, eu sou pequeno, um simples funcionário público do norte do país. Eles não publicaram nada do que falei, nem, primeiramente, o fato de que eu não era o único a negociar a rebelião. Desenterraram uma investigação contra mim da Polícia Federal em que esta escuta advogados falando o meu nome para presos, sem qualquer prova de conduta minha. Detalhe, todos os presos das escutas estão presos, nunca soltei ninguém. Mas insinuaram que isso tinha algo a ver com o fato de eu ter ido falar com os presos na rebelião, que sequer eram os mesmos da escuta”, argumenta. Segundo o juiz, ele não estava designado para o plantão no dia da negociação e que foi ao local por existirem reféns no local. “Mas isso eles não falaram também. Fui chamado pelo próprio Secretario de Segurança do Amazonas que, não por coincidência, é um dos delegados da Polícia Federal mais respeitados do Estado”. No final do relato, Coelho afirma estar sofrendo ameaças. “Tudo que fiz, negociei e ajudei a salvar dez funcionários do Estado, reféns dos presos, fiz sob orientação dos policiais. Tudo isso falei para o tal Estadão, mas foi indiferente para eles. Agora recebo ameaças de morte da suposta outra facção, por causa da matéria covardemente escrita, sem sequer citar o que falei. Covardes. Estadão covarde, para quem não basta 'bandido morto', juiz morto também é indiferente”, acusa.
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