sábado, 8 de julho de 2017

Delator de primeira hora: As acusações de Eduardo Cunha contra Temer

(Cristiano Mariz/VEJA)

O objetivo da delação de Cunha - A nova delação do fim do mundo terá acusações contra 50 deputados


No acordo que negocia com a Lava-Jato, o ex-deputado Eduardo Cunha promete contar histórias desabonadoras que envolvem pelo menos meia centena de parlamentares – a maioria ,destinatária de propinas de esquemas montados em estatais e fundos de pensão. Entre os relatos, há também casos de deputados que o procuraram às vésperas de sua cassação, em setembro de 2016, para oferecer o voto em troca de pagamento – um deles pediu 1 milhão de reais para ajudar a livrá-lo no Conselho de ÉticaNo acordo que negocia com a Lava-Jato, o ex-deputado Eduardo Cunha promete contar histórias desabonadoras que envolvem pelo menos meia centena de parlamentares – a maioria ,destinatária de propinas de esquemas montados em estatais e fundos de pensão. Entre os relatos, há também casos de deputados que o procuraram às vésperas de sua cassação, em setembro de 2016, para oferecer o voto em troca de pagamento – um deles pediu 1 milhão de reais para ajudar a livrá-lo no Conselho de Ética.

O presidente Michel Temer deve ser apontado pelo ex-deputado Eduardo Cunha como o 'verdadeiro chefe' da quadrilha do PMDB na Câmara (Sergio Lima/AFP)


“O objetivo é provar que ele [Eduardo Cunha] desempenhava apenas uma função dentro de uma organização criminosa, composta por líderes do PMDB da Câmara e comandada por Michel Temer.”
Foi o que disse à Veja uma fonte envolvida na negociação do acordo de delação premiada do ex-deputado.


Por razões óbvias, a parte relativa ao presidente Michel Temer é considerada a mais vistosa da proposta de delação do ex-deputado Eduardo Cunha. Nos dez capítulos dedicados exclusivamente ao presidente, há acusações das mais diversas. Nas palavras de um interlocutor com quem tem conversado frequentemente, Cunha pretende demonstrar que o presidente da República é o “verdadeiro chefe” da organização criminosa formada pelo chamado “PMDB da Câmara”. Ele se dispõe a revelar negociações de propinas ocorridas na presença de Temer.
No rascunho da delação, Cunha relacionou Michel Temer a negócios escusos na Petrobras, especialmente na área internacional da estatal, onde foram alojados executivos indicados pelo presidente. Ele também liga o Temer a propinas pagas por empresas que atuam no setor de aeroportos e no Porto de Santos, ambos comandados, durante anos, por aliados do presidente – ao analisar arquivos encontrados no material apreendido com Cunha, por sinal, os investigadores da Lava-Jato encontraram um dossiê com informações sobre a atuação de Temer no porto do litoral paulista. “Tudo indica que, apesar de aliado, ele sempre desconfiou de Temer e guardava informações que poderiam ser usadas contra ele no futuro”, disse a VEJA um dos encarregados da investigação.
Integram ainda o cardápio da delação encontros entre o presidente e empreiteiros para discutir doações eleitorais ao PMDB atreladas à liberação de recursos do FI-FGTS, o fundo administrado pela Caixa que investe dinheiro dos trabalhadores em projetos de infraestrutura e cujas decisões cabiam, em grande medida, a apadrinhados do partido. Temer teria se reunido, por exemplo, com Benedicto Junior, executivo da Odebrecht, e com Léo Pinheiro, da OAS, para acertar doações em troca de aportes. Outro episódio que o ex-deputado prometeu relatar envolve um investimento na concessionária Via Rondon, uma das empresas da família Constantino, fundadora da companhia aérea Gol. Segundo Cunha, Temer deu o aval para que a empresa financiasse campanhas de políticos do PMDB como contrapartida à liberação do dinheiro. “O objetivo é provar que ele [Cunha] desempenhava apenas uma função dentro de uma organização criminosa, composta por líderes do PMDB da Câmara e comandada por Michel Temer”, diz outra fonte envolvida na negociação do acordo.
Além dos capítulos ofertados por Cunha, os procuradores já preparam uma lista de assuntos sobre os quais exigirão que o ex-deputado fale. Um deles envolve um emaranhado de empresas abertas pelo grupo de Cunha para receber propinas em paraísos fiscais. A Lava-Jato tem indicações de que essa é a ponta de um novelo que pode ligar Temer a contas secretas no exterior.

Os paraísos de Cunha e Temer


Além dos capítulos de delação premiada oferecidos por Eduardo Cunha, os procuradores já preparam uma lista de assuntos sobre os quais exigirão que o ex-deputado fale.
Um deles, segundo a Veja, envolve um emaranhado de empresas abertas pelo grupo de Cunha para receber propinas em paraísos fiscais.
"A Lava-Jato tem indicações de que essa é a ponta de um novelo que pode ligar Temer a contas secretas no exterior." 

No rascunho de sua delação, além de acusar Michel Temer de ter comprado seu silêncio, Eduardo Cunha relacionou o presidente, segundo a Veja:
– a negócios escusos na Petrobras, especialmente na área internacional da estatal, onde foram alojados executivos indicados pelo presidente.
– a propinas pagas por empresas que atuam no setor de aeroportos e no Porto de Santos, ambos comandados, durante anos, por aliados de Temer;
– a encontros com empreiteiros para discutir doações eleitorais ao PMDB atreladas à liberação de recursos do FI-FGTS, o fundo administrado pela Caixa que investe dinheiro dos trabalhadores em projetos de infraestrutura e cujas decisões cabiam, em grande medida, a apadrinhados do partido;
– a um aval para que a concessionária Via Rondon, uma das empresas da família Constantino, fundadora da companhia aérea Gol, financiasse campanhas de políticos do PMDB como contrapartida à liberação do dinheiro. 

Cunha, delator de primeira hora


Pelo volume e pela importância das informações de que dispõe, Eduardo Cunha ganhou preferência em relação ao doleiro Lúcio Funaro, segundo O Globo.
No novo cenário, as tratativas de Funaro para delação premiada estariam em segundo plano.
"O operador corre o risco de nem obter o acordo que esperava quando decidiu fazer colaboração. Sem outra alternativa, Funaro atuaria como colaborador, forneceria informações e determinados documentos. Em contrapartida, receberia benefícios previstos em lei, mas em escala menor que aqueles concedidos a delatores de primeira hora."

Acusações de Cunha deverão atingir deputados pró-Temer


Fora do núcleo central do governo, as acusações de Eduardo Cunha em delação premiada "deverão atingir deputados que, hoje, cerram fileiras para barrar a denúncia contra Temer na Câmara", segundo O Globo.
Parte dos grupos que dão apoio ao presidente hoje na Casa, "no passado recente se aglutinavam em torno de Cunha".

Os nomes da lista de Cunha


Além de Michel Temer, eis alguns nomes da lista de Eduardo Cunha, segundo fonte do Globo que acompanha de perto a negociação de delação do ex-presidente da Câmara:
– Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral da Presidência;
– Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil;
– Romero Jucá, senador do PMDB-RR;
– Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo;
– Henrique Eduardo Alves, ex-ministro do Turismo.
Os dois últimos já estão presos, mas as confissões de Cunha poderão complicar ainda mais a situação deles.
"As acusações mais pesadas do ex-deputado recairiam, no entanto, sobre Temer e Moreira Franco. Esta parte da denúncia, aliás, é a que tornaria o acordo mais palatável ao Ministério Público Federal."

Cunha deverá citar 50 políticos em delação


O Globo:
"Além de fazer acusações contra o presidente Michel Temer, o ex-deputado Eduardo Cunha deverá citar em sua delação pelo menos 50 políticos, entre eles deputados, senadores e ministros do governo com quem manteve estreitas relações, especialmente durante a campanha que o levou a presidência da Câmara em 2015."
Radar:
"Por que Eduardo Cunha resolveu delatar de uma hora para outra? A dura vida do cárcere o esgotou. Além disso, ele tem dito que não suporta mais ser acusado de tudo sem poder rebater."
Nunca suportou.
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