segunda-feira, 5 de junho de 2017

Padrasto diz que a jovem Taynna Karita agredida antes de fuga de presídio está em choque e teme nova explosão: 'Acorda gritando'

Taynna Karita Silva Barros, ferida em explosão de presídio em Guapó (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Comerciante conta que Taynna Karita Barros, 20, que vivia em casa vizinha à cadeia, recebeu alta do Hugol e chegou a desmaiar após pesadelo. Jovem é acompanhada pelo ambulatório de Guapó.



O comerciante Lindomar Gonçalves Santana, padrasto da jovem agredida por criminosos antes da explosão no presídio de Guapó, na Região Metropolitana de Goiânia, disse, neste domingo (4), que a enteada está em choque e teme uma nova explosão. Taynna Karita Silva Barros, de 20 anos, morava em uma casa alugada ao lado da unidade prisional e que ficou destruída após a detonação dos explosivos. Ao G1, Lindomar afirmou que a dona de casa está se recuperando bem das lesões sofridas, mas já chegou a “acordar gritando” durante a noite. “Ela está em choque, muito abalada psicologicamente. Acorda gritando ‘corre, a casa vai explodir’, em pânico. Vamos procurar atendimento com psicólogo porque não está fácil. Graças a Deus, aos poucos ela está recuperando, está comendo, mas tudo tem sido muito difícil pra gente”, disse. O crime aconteceu na última terça-feira (30). Com a explosão, a casa foi destruída e ela foi resgatada ferida sob os escombros. Onze presos fugiram na ação, mas cinco já foram recuperados, segundo a PM. Taynna foi levada para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e, segundo o padrasto, recebeu alta na última sexta-feira (2). Desde então, a jovem é acompanhada pelo ambulatório da cidade de Guapó. Ele contou que Taynna teve um desmaio na madrugada de sábado (3), mas recebeu atendimento médico ambulatorial e voltou para casa. “Foi um susto, mas ao que tudo indica, foi por conta deste estresse todo. Ela teve um pesadelo e passou muito mal. Está tudo muito recente ainda”, afirmou o comerciante. Como a casa em que a jovem morava ficou completamente destruída, ela está na casa do pai, que também mora em Guapó. De acordo com o padrasto, que mora com a mãe de Taynna na zona rural da cidade, a família ganhou, há alguns dias, uma casa de um programa habitacional e deve se mudar, junto com a jovem, na próxima semana.


Grupo explode fundos de presídio e destrói casa em Guapó (Foto: Giovana Dourado/TV Anhanguera)


Susto - Taynna estava dormindo quando o crime aconteceu. Os suspeitos arrebentaram o portão da residência e depois entraram na casa, onde encontraram a jovem. "Ela foi agredida com arma, pancada e coronhada na cabeça. Bateram demais nela. Depois deixaram ela no quarto e saíram para detonar os explosivos. Ela está muito abalada", disse Lindomar. O comerciante revela ainda que a enteada também foi ferida em várias partes do corpo por estilhaços da explosão. De acordo com ele, após a alta no hospital, Taynna não está com nenhum ferimento grave.

O açougueiro Rodrigo Reis ajudou no resgate da Taynna. O homem é dono do imóvel e foi um dos primeiros a chegar ao local. Um vídeo mostra o momento em que ela é resgatada por vizinhos (veja abaixo). Ele estava trabalhando quando foi informado da explosão. "Vim correndo e a Taynna estava sob os escombros ainda. Ela estava consciente, conversando, mas muito machucada porque a casa toda caiu, ela ficou embaixo de um monte de coisa", disse. Rodrigo contou ainda que a população da cidade já pediu várias vezes a mudança de local do presídio. "Fica no meio da cidade, não tem segurança suficiente. Quase todo dia tem alguém tentando pular o muro para fugir. Já pedimos várias vezes para mudar o presídio de lugar e, agora, acontece isso", completou.

Casa em que jovem morava ficou completamente destruída após explosão (Foto: Vitor Santana/G1 )


R$ 15 mil pelo crime - Três homens foram presos suspeitos de realizar a explosão. Segundo a PM, Lucas Coelho Costa, de 19 anos, João Wellington Lira do Nascimento, de 19, e Higor Lemes da Silva, de 20, disseram que receberiam R$ 15 mil para executar o serviço. Eles teriam sido agenciados pelo detento Diemerson de Sousa, vulgo Pará, que estava detido na unidade prisional. Ele conseguiu escapar, mas depois foi recapturado, assim como outros quatro presos. Seis reeducandos seguem foragidos. Durante a ação, tiros foram disparados, deixando a população assustada. O presídio fica na região central da cidade e é cercado por várias casas. Segundo dados de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem pouco mais de 14 mil habitantes. A estrutura do presídio não foi abalada. Assim, os demais presos permanecerão na unidade. Ao todo, 87 presos estavam no local. "Não houve abalo estrutural na unidade. Temos condições de garantir a segurança dos presos", assegurou o coronel Vitor Dragalzew, superintendente executivo da Superintendência Executiva de Administração Penitenciária. Em nota, a SSPAP informou na última semana, que foram tomadas "medidas emergenciais para atendimento dos feridos e transferência dos demais presos". Além disso, há um acordo com o Ministério Público e o Poder Judiciário e prefeitura da cidade para que seja construída uma nova unidade prisional no município.
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