domingo, 8 de janeiro de 2017

Bonito, Mato Grosso do Sul: quando ir, o que fazer, o que visitar

Gruta do Lago Azul pode receber no máximo 305 visitantes por dia (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Região é famosa pela beleza de seus rios e cavernas. G1 apresenta roteiro com até 5 dias de atividades no destino.


Rios de águas transparentes, cachoeiras, grutas e cavernas. Fauna e flora exuberantes, com centenas de espécies de aves, mamíferos e répteis ocupando uma vegetação que mistura o Cerrado com a Mata Atlântica. Essas são algumas das atraçõe de Bonito, na região sudoeste de Mato Grosso do Sul, a 300 quilômetros de Campo Grande. Polo do ecoturismo no Brasil, Bonito recebeu em 2013 o prêmio de melhor destino de turismo responsável do mundo, o World Responsible Tourism Awards, na Feira World Travel Market, em Londres. O município conta com cerca de 40 atrativos, que possibilitam aos visitantes várias opções de atividades. Os interessados em contemplar as belezas da região podem, por exemplo, visitar as grutas e tomar banho em cachoeiras e rios de águas cristalinas.

Já os amantes da aventura podem percorrer trilhas no solo ou circuitos nas árvores (arvorismo), descer trechos dos rios fazendo flutuação ou em botes, boias (boia cross), pranchas (stand up paddle surf) ou caiaques infláveis (duck), ou ainda passear de quadriciclo, a cavalo (cavalgada) ou de bicicleta. Para os mais radicais também não faltam opções, como o rapel e os mergulhos em rios e lagoas.

Os atrativos de contemplação, de aventura e de esportes radicais são todos em propriedades particulares, com exceção da gruta do Lago Azul e do Balneário Municipal, que são administrados pela prefeitura. Eles estão localizados a distâncias que variam de 7 a 55 quilômetros da cidade e o acesso é feito por estradas não pavimentadas, mas que estão em bom estado de conservação e são bem sinalizadas. Na cidade, os visitantes podem conhecer mais sobre os peixes locais visitando o aquário, experimentar em bares e restaurantes pratos regionais feitos a partir da carne de peixe e de jacaré, entender o processo produtivo de uma aguardente que dá nome a um dos mais tradicionais bares da cidade e fazer a degustação de mais de 12 tipos de cachaça e ainda levar para casa amostras da cultura regional nas lojas de venda de artesanato espalhadas pelo centro do município.

SUGESTÃO DE ROTEIRO
Com informações da Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio de Bonito, o G1 preparou uma sugestão de roteiro, com opções para cinco dias de atividades no município. Foram levados em conta o tipo de atrativo, o tempo de deslocamento e o perfil do passeio, se optando pelos que atendem de crianças a adultos.
Dia 1
Nada melhor para iniciar a visitação a Bonito que conhecer o cartão-postal do município. A gruta do Lago Azul é conhecida mundialmente e já foi cenário de filmes e novelas. A cavidade com as características atuais tem cerca de 60 milhões de anos. Está tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1978. Dentro, há um lago com água cristalina, que devido à refração da luz, se torna azul. A profundidade do lago é desconhecida. O máximo já alcançado por um mergulhador foi 87 metros e dentro já foram descobertos dois fósseis de animais pré-históricos, um de uma preguiça-gigante e outro de um tigre-dente-de-sabre.
A capacidade máxima de visitantes é de 305 pessoas por dia. Está localizada a cerca de 20 quilômetros da cidade. As visitações ocorrem das 7h às 14h e demoram em média uma hora e meia entre a descida e a subida. A idade mínima para o passeio é de cinco anos e os grupos de visitantes têm, no máximo, 15 pessoas. A cada 20 minutos, um grupo inicia a visitação, que começa por uma trilha de 300 metros e depois, dentro da gruta, passa para a descida de uma escadaria com 298 degraus que termina em um deck para contemplação. O preço para a visitação é de R$ 45 na baixa temporada e de R$ 60 na alta.

Na flutuação no rio Sucuri, turista tem a sensação de estar dentro de um aquário com os peixes
(Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Depois da visita à gruta, que demanda uma manhã inteira entre o deslocamento para o local, a descida e o retorno, a sugestão é fazer no período da tarde um passeio de flutuação pelos rios da região. Pelo menos sete empreendimentos oferecem esse tipo de atrativo, que envolve geralmente uma pequena caminhada por trilhas antes da entrada na água para que o visitante possa conhecer, por exemplo, nascentes e a fauna e flora do local.
O turista recebe previamente equipamentos como roupa e bota de neoprene, colete salva-vidas e máscara de mergulho com snorkel, bem com um treinamento básico para “flutuar” no rio. Nesse passeio, o turista se deixa levar pela correnteza dos rios, tendo a sensação de estar dentro de um aquário. A idade mínima para o passeio é de cinco anos. Os preços variam, de acordo com o estabelecimento e a temporada (alta ou baixa), de R$ 85 a R$ 190 para o adulto.
À noite, o visitante fica livre para passear pelo centro da cidade, conhecendo a praça da Liberdade onde estão as esculturas de duas piraputangas, peixe abundante na região, que foram produzidas pelo artista plástico Cleir. O turista também pode aproveitar que os estabelecimentos comerciais, nos dias de maior movimento, ficam abertos até 22h para fazer compras e se deliciar com a culinária local.
Dia 2
O segundo dia de roteiro em Bonito tem como primeira sugestão de passeio o arvorismo, que é o deslocamento entre as copas das árvores nativas por meio de travessias em cabo de aço, madeira, corda e bambu. A altura do circuito chega a 20 metros, e os visitantes contam com toda a estrutura necessária para a atividade, como equipamentos individuais de proteção e auxílio de monitores.
O trajeto coloca o turista em contato direto com a natureza, possibilitando, inclusive, que ele aviste várias espécies de animais durante o percurso, que conta até com tirolesas. Em Bonito é oferecido por dois empreendimentos turísticos que estão a uma distância que varia de 6 a 8 quilômetros da cidade. A idade mínima para participar é de sete anos e os preços variam, conforme o empreendimento, a temporada e o período do dia (diurno ou noturno), de R$ 85 a R$ 105 para um adulto.

Atrativo oferece ao turista a oportunidade de conhecer e tomar banho nas cachoeiras do rio Mimoso, em Bonito (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)
Depois de um dia intenso, a noite fica livre para o visitante jantar e passear pela cidade.Após o almoço, o turista pode fazer uma trilha com visitação a cachoeiras. Neste tipo de passeio, geralmente o visitante percorre um caminho por áreas de mata, passando, por exemplo, pelo leito de riachos secos, pequenas grutas, passarelas e mirantes, parando sempre nas cachoeiras, de tamanhos e formas variadas, onde em verdadeiras piscinas naturais pode se banhar nas águas cristalinas dos rios. Este tipo de atrativo demanda pelo menos um período do dia, já que somente para percorrer o percurso programado o tempo médio varia de três a quatro horas. Cinco empreendimentos oferecem esse passeio e estão localizados a distâncias que vão de 20 a 55 quilômetros da cidade. Todos oferecem almoço. Os preços variam, dependendo da temporada e do estabelecimento, de R$ 85 a R$ 196.
Dia 3
Balneário municipal é uma opções do turista para contemplar a natureza em Bonito (Foto: Divulgação/Secretaria de Turismo de Bonito)

O terceiro dia da visitação do turista a Bonito pode ser dedicado a um passeio a um dos balneários do município. Cortados por rios como o Formoso e o Sucuri, permitem a contemplação de belas paisagens e uma visão nítida de peixes de cores e tamanhos variados. Oferecem uma ampla estrutura, como restaurantes, lanchonetes, sorveterias, sanitários, quadras de vôlei, tirolesas, redários, trampolins, parques para as crianças, entre outros. Voltados para o relaxamento e descontração, merecem a dedicação de um dia inteiro na programação de visita ao município. Em Bonito são cinco opções de balneários. Não existe idade mínima para frequentá-los e crianças até 5 anos não pagam. Os valores da entrada oscilam de acordo com o estabelecimento e a temporada entre R$ 25 e 50.
Neste roteiro, o turista visita um prédio que fica dentro da área urbana da cidade, onde a bebida é preparada e são produzidas artesanalmente as embalagens caraterísticas, que têm como matéria-prima um tipo de capim abundante na região, e os copos de cerâmica desenvolvidos especialmente para consumi-la, bem como outras peças de artesanato. No fim do passeio ainda terá a oportunidade de degustar 12 tipos de bebida desenvolvidos a partir da fórmula original e modificados com a inclusão de outros ingredientes como: banana, ameixa, hortelã, pimenta, jaboticaba e café, entre outros. O passeio tem preço único de R$ 35 e termina com uma visita à loja da empresa, onde são comercializados os vários tipos dessa bebida, bem como os copos e outras peças de artesanato.Descansado durante o dia, o visitante pode optar à noite por um passeio diferente. Conhecer o sistema de produção de uma bebida que se tornou um dos símbolos do município, a Taboa. O produto, desenvolvido por uma empresária local, dá nome também a um bar no centro da cidade e é resultado de uma mistura de aguardente com mel, canela, guaraná em pó e outras ervas.
Dia 4
No penúltimo dia de visitação, o turista pode reservar uma manhã inteira para fazer um passeio a cavalo. Somente o percurso montado demora cerca de três horas, sem contar o deslocamento até os locais dos atrativos, que possibilitam a experiência de vivenciar o clima de uma fazenda sul-mato-grossense. No caminho passam por áreas de mata fechada, beirando os rios, com trilhas que possibilitam a apreciação da fauna e flora. São oferecidos por pelo menos quatro propriedades em Bonito. As distâncias até os atrativos variam de 8 a 55 quilômetros. A idade mínima para que crianças participem é de 7 anos. Abaixo, geralmente montam com os pais. Os preços variam, de acordo com o estabelecimento, de R$ 57 a R$ 60.
Passeio a cavalo está entre os atrativos que levam o turista a conhecer mais sobre a fauna e flora de Bonito (Foto: Divulgação/Secretaria de Turismo de Bonito)

Após o almoço, que pode ocorrer na mesma propriedade onde foi feita a cavalgada, o turista pode se dedicar ainda mais ao turismo de aventura, fazendo atividades como o passeio de bote, em que os visitantes percorrem na embarcação um trecho do rio Formoso, passando por quedas de água de 1,50 metro a 2 metros de altura. No trajeto, contemplam a flora e fauna da região. Ver sucuris é comum, principalmente no inverno, mas não existem relatos de ataques a seres humanos no local.
Passeio de bote pelo rio Formoso oferece ao turista a oportunidade de contemplar a fauna e flora
(Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Depois de várias atividades, a noite ficaria livre novamente para o visitante jantar e passear pela cidade.O passeio é oferecido por pelo menos dois estabelecimentos, que ficam a aproximadamente 13 quilômetros da cidade. Em um deles, os visitantes podem optar por variações com passeios individuais, também descendo segmentos do rio em boias (boia cross), em canoas infláveis (duck) e em pranchas de surf (stand up paddle surf). Os preços variam de R$ 50 a R$ 99 e os passeios são recomendados somente para crianças maiores de 5 anos.
Dia 5
No último dia da programação, o visitante tem como sugestão de atividade em Bonito o passeio de bicicleta por trilhas. O bike tour envolve o percurso de trajetos que variam de 7,3 a 14 quilômetros, demandando de duas a três horas para percorrê-los. O agradável passeio por estradas e matas possibilita a observação de vários animais silvestres como macacos, queixadas, quatis, tucanos, araras, seriemas, capivaras, veados e outros, além de árvores da região, e conta ainda com paradas para que os visitantes se refresquem em cachoeiras. Um dos passeios sai do centro da cidade e o outro de uma propriedade rural a 18 quilômetros da área urbana do município. A idade mínima para participar é 10 anos em um dos estabelecimentos e 12 no outro. Os preços variam de R$ 57 a R$ 98.
Após o passeio de bicicleta, o turista pode dedicar seu último período em Bonito à compra de presentes e lembranças para familiares e amigos. Os locais mais indicados são os estabelecimentos na rua Coronel Pilád Rebuá, no centro da cidade. São dezenas de lojas espalhadas pela via. Nesses estabelecimentos, o visitante pode encontrar desde imãs de geladeira com figuras de animais típicos da região a R$ 2, passando por camisetas que tem preço mínimo de R$ 12 até chegar a peças de artesanato que podem passar dos R$ 100.
Produtos de artesanato são as principais opções de presente e lembrancinhas para os visitantes de Bonito (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Voucher para atrativos
Dicas do G1

Uma dica importante para o turista que pretende ir a Bonito é planejar com antecedência a viagem e para um período de baixa temporada, quando pagará preços mais em conta, até 25% menores na aquisição de produtos e serviços. Outro ponto é que, no município, o repelente e o protetor solar são companhias indispensáveis, principalmente nos atrativos que são visitados em áreas rurais.
A visitação aos atrativos ocorre por meio da aquisição, somente nas agências de turismo, do chamado voucher, que é o passaporte para os passeios. Por meio dele é remunerada toda a cadeia produtiva do turismo no município, desde os guias até os empresários, e também é assegurado que será respeitado o limite de visitações.
O preço do voucher varia de R$ 25, entrada para o Balneário Municipal (baixa temporada), a R$ 891, para o mergulho no Abismo Anhumas (independente de ser alta ou baixa temporada). A secretária de Turismo, Indústria e Comércio de Bonito, Juliane Ferreira Salvadori, explica que esses preços se justificam porque representam todo o valor agregado aos produtos turísticos para oferecer o melhor atendimento ao turista.
“Não é um valor alto, precisamos desmistificar que o turismo em Bonito é caro. Aí está incluída a questão da segurança dos visitantes, o seguro deles, o investimento do empreendedor na infraestrutura física e nos equipamentos para atender o turista, tanto que todos têm licenciamento ambiental, além da preparação dos guias e ainda o aspecto da exploração de modo sustentável da atividade. Todos os atrativos têm capacidade limitada de visitantes, porque o nosso meio ambiente, as nossas nascentes são muito frágeis. Em cada passeio, os grupos são pequenos para que o visitante tenha a melhor experiência e a melhor qualidade de atendimento”, diz a secretária.
Na baixa temporada, que ocorre fora do período de fim de ano, dos feriados nacionais e das férias escolares do meio do ano, o fluxo de turistas cai e com ele são reduzidos em média entre 20% e 25% os preços de praticamente toda a cadeia ligada ao turismo, de bares e restaurantes, passando a estádia de hotéis e chegando ao voucher dos atrativos.
Com uma cadeia turística que conta com 84 hotéis e pousadas, que juntos oferecem 5.699 leitos e empregam, segundo estimativa da prefeitura, direta e indiretamente, metade da população do município que é de aproximadamente 20 mil pessoas, Bonito recebeu somente em 2014, também conforme a administração municipal, 477 mil visitantes.
O número de turistas vem crescendo anualmente em média de 4% a 5%, mas o município tem investido na diversificação de atividades para tentar atrair ainda mais visitantes. Uma das ferramentas é a realização de eventos culturais.

“Pesquisamos pela internet. Ficamos encantados com as belezas da cidade e decidimos vir. No dia seguinte do casamento pegamos um avião de Manaus para São Paulo, foram três horas e meia de voo. Depois de duas horas no aeroporto, embarcamos em um voo de São Paulo para Campo Grande e foi mais uma hora e meia de viagem. Por fim, alugamos um carro e vim dirigindo para Bonito. Foram mais três horas de viagem. Estamos super cansados, mas está valendo muito a pena. É tudo muito bonito mesmo”, disse Guilherme ao G1, pouco antes de fazer a visitação da Gruta do Lago Azul.

Encantamento


Independente de projetos futuros, o estágio atual de desenvolvimento da atividade turística em Bonito atrai visitantes de vários estados e países, interessados em conhecer principalmente as belezas naturais do município. Uma prova disso são os recém-casados Guilherme Sousa, de 31 anos, e Ellen Souza, de 30 anos. Eles moram em Manaus e logo após a cerimônia de casamento viajaram para Bonito para passar a lua de mel.
“Os atrativos são muito bonitos, realmente justificam o nome da cidade. Além disso, são todos muito bem estruturados e os guias são muito preparados”, comentou, completando que a família decidiu conhecer a cidade depois de receber a recomendação de amigos que já tinham a visitado.Outro visitante que elogiou a cidade foi o funcionário público Luiz Eduardo Casolaro, de São Paulo, que estava visitando a cidade com a esposa, Ana Maria Casolaro, e os filhos Ana Beatriz, de 13 anos, e João, de 8 anos. Pouco antes de fazer a flutuação do rio Sucuri ele destacou a infraestrutura de atendimento aos visitantes. Fonte G1
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