sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Crise e má gestão: Cidades do Rio encerram 2016 sem pagar servidores e até sem prefeito

Foto: Reprodução / TV Globo

A crise financeira que paralisa o Estado do Rio atingiu municípios da Região Metropolitana, que passam os últimos dias de 2016 sob forte crise e sem comando. Com queda na arrecadação, algumas cidades estão com salários de servidores atrasados, serviços de coleta de lixo suspensos e greves. Para completar, há prefeito recebendo ordem de prisão e até chefe de Executivo municipal que desapareceu. Na quarta-feira (28), a Justiça do Rio decretou a prisão do prefeito de São Gonçalo, Neiton Mulim (PR), por crime de desobediência de ordem judicial. O prefeito, que concorreu à reeleição nas eleições de outubro e foi derrotado, não pagou os salários dos funcionários da rede municipal de ensino como havia determinado a Justiça. Em despacho, o desembargador Peterson Barroso Simão ressaltou que Mulim, além de não respeitar a decisão, ainda age de forma a dificultar o recebimento da ordem judicial. O político passou parte da quinta (27) na capital, "tratando da sua defesa", segundo assessores. São Gonçalo é o segundo maior município do Rio, com mais de 1 milhão de habitantes, mas é basicamente uma cidade-dormitório, com pouca atividade econômica e população predominantemente de baixa renda. Já o prefeito de Mesquita sumiu. É o que asseguram servidores municipais, que estão com os salários atrasados desde outubro - mesmo mês em que Gelsinho Guerreiro (PRB) não conseguiu conquistar a reeleição. Guerreiro não aparece em seu gabinete desde então e também não é encontrado em sua casa, em Nova Iguaçu, município vizinho na Baixada Fluminense. Enquanto isso, o lixo se acumula nas ruas de Mesquita, onde a coleta está suspensa, por problemas no pagamento. Nesta quinta-feira, servidores da saúde de Duque de Caxias pararam o trabalho porque seus salários estão atrasados. Eles alegam ainda não ter recebido os vencimentos relativos a novembro e o décimo terceiro salário. Em Itaguaí e Belford Roxo, a situação é parecida. Até mesmo o site da prefeitura de Belford Roxo estava fora do ar, na tarde desta quinta. A crise financeira que assola os municípios da Baixada Fluminense, em parte, é motivada pela queda de arrecadação com os royalties do petróleo e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). São duas das causas do colapso financeiro que também atinge o Estado do Rio. Na contramão da queda de arrecadação está o gasto com pessoal nos municípios. Cidades como Nova Iguaçu e Mesquita, por exemplo, comprometem quase 60% de seu orçamento com o pagamento do funcionalismo, de acordo com estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) este ano. A análise levou em conta os dados de 2015. por Márcio Dolzan | Estadão Conteúdo
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